No que toca às artes plásticas, a sua interpretação é, e será sempre, uma questão de perspectiva.
Perspectiva no sentido físico, pois poder-nos-á ser negado, ou facilitado, o acesso a uma certa perspectiva de uma obra (um ângulo, uma linha de visão, etc.), facto este que por si só nos influenciará na interpretação da criação artística.
Perspectiva no sentido imaterial, pois a nossa ideia mental sobre o objecto é criada a partir de ideias e conceitos previamente apreendidos, e que são agora, no exercício de interpretação da obra de arte, colocados no pensamento, reordenados, revistos, reinterpretados, no fundo, re-perspectivados, para finalmente nos conduzirem à dita interpretação.
Embebida neste binómio perspectiva material – perspectiva imaterial surge a figura central à condução do pensamento sobre a, e da, arte, o curador. Ao conceptualizar uma ideia, predispondo e dispondo a obra de arte de determinada forma ao seu público, o curador, neste exercício, trabalha ele próprio a partir da sua perspectiva, visando passá-la ao observador da obra, e à própria obra enquanto observada.
Por fim podemos chamar ao curador o perspectivador de perspectivas.
Estão a ver?
